Adeus ao endividamento

Como traçar estratégias de renegociação e retomar a saúde financeira da sua empresa.


Se sua empresa tem o nome negativado, não se sinta privilegiado, essa é a realidade de 4,4 milhões de empresas. O Serasa revela que essas empresas possuem gestão financeira despreparada para honrar compromissos com bancos, parceiros, funcionários e fisco. Não se desespere, ainda é possível mudar essa situação. O primeiro passo é entender quais práticas te levaram ao endividamento, a natureza das dívidas e o total do débito. O próximo passo é traçar uma estratégia para liquidar as dívidas.

É necessário obter uma rotina disciplinada da gestão financeira. Vou te ajudar no planejamento financeiro para restruturação da sua empresa, vamos aos três passos básicos:


1. Planejamento

Ignorar a dívida leva à perda de credibilidade e fragiliza a relação comercial. Além disso, a falta de um planejamento de fluxo de caixa e negociação das dívidas pode virar um mal negócio. Mapeie todas as dívidas. Faça um levantamento de todos os atrasos, empréstimos, prazos, cartão de crédito, multas e consulte os órgãos de proteção ao crédito para verificar se há títulos protestados. Assim você vai ter uma noção do tamanho do problema, e terá uma noção real do tamanho e tipo de esforço que terá que fazer para liquidar as dívidas. Elabore um planejamento financeiro de no mínimo um ano. Faça uma tabela com o seu orçamento mensal, ou seja, tudo o que entra e sai da sua conta bancária todo mês. Um planejamento bem feito, com as projeções das parcelas da dívida previstas no fluxo de caixa (equalize o valor da dívida com a projeção de receita e despesas), traz credibilidade na hora de negociar com os credores.


2. Restruturação

Cortar os excessos deve ser uma rotina da empresa – desde a negociação com fornecedores até a otimização de despesas e redução de custos. Faça um levantamento de ativos ociosos e verifique a possibilidade de vender para gerar caixa. Liste ideias para gerar renda extra. O que pode ser feito para complementar o seu orçamento? A gestão voltada para ações sustentáveis além de reduzir gastos, diminui os impactos ambientais. Fique atento a compras de produtos ou matéria-prima em épocas de poucas vendas.

3. Renegociação

Uma das soluções é renegociar com o credor o alongamento do prazo de pagamento e carência. Priorize as dívidas com o principal alto porque as multas e os juros atrasados impactam fortemente no fluxo de caixa.

Estabeleça um limite de quanto você pode pagar. O objetivo é sair das dívidas, certo? Então, já sabendo o quanto poderá pagar, defina um valor limite para negociar e não assuma um compromisso com o qual não possa arcar. Ex.: se fosse pagar o valor de R$ 5.000,00 em parcelas de R$ 110,00 levaria quatro anos para quitar a dívida. Com essa informação em mãos, negocie um desconto no valor total para quitar a dívida mais rapidamente.

Neste limite, considere os imprevistos. Todos nós costumamos acreditar no melhor cenário e, por isso, raramente prevemos um “plano B” para cobrir os eventuais imprevistos. Gastos com reforma, perda de um grande cliente, consertos no carro e doenças na família são causas comuns do atraso no pagamento das contas.

​Eleja prioridades em suas dívidas, levando em conta o custo e os benefícios. Para participar de licitações por exemplo, dê preferência para quitação de dívidas fiscais. Se a empresa está sem matéria-prima, renegocie com os fornecedores primeiro.

A inadimplência e os atrasos podem te prejudicar na hora de negociar, você acaba levando o seu rating (classificação de crédito) lá para baixo, fazendo com que as taxas se elevem.

O maior erro do empreendedor é negociar quando se está sem capital para honrar com as dívidas, o correto é ter uma projeção de quando ele vai se esgotar e tentar negociar antes que os atrasos comecem (falando mais uma vez sobre a importância do planejamento).