Deep Work, a técnica para trabalhar focado aumentando a performance


É a habilidade que vai te ajudar a fazer muito mais coisas em menos tempo e a aprender novas habilidades complexas rapidamente. Para sobreviver no mundo contemporâneo, ela é essencial.

Deep Work significa trabalhar de maneira profunda, focado, essa é uma das habilidades mais valiosas no mundo contemporâneo é um tratado sobre esse jeito de trabalhar. Essa habilidade está se tornando cada vez mais rara com os avanços tecnológicos, a computação móvel e nossa dependência cada vez maior das redes sociais. Trabalhar profundamente significa desenvolver a capacidade de se focar em tarefas que exigem grande atenção cognitiva sem se distrair.


Ser multitarefa está roubando sua produtividade

Cada vez mais, nós, profissionais fragmentamos nossa atenção graças ao constante acesso às ferramentas virtuais, como redes sociais, emails e a própria internet. Quem nunca abriu o celular para ver a hora, entrou nas mídias sociais e fechou o celular sem saber que horas eram? Sucumbir a estas distrações nos torna incapazes de trabalhar profundamente e nos faz trabalhar de forma superficial. É preciso dominar o Deep Work, pois o trabalho superficial não explora nosso potencial máximo e é facilmente repetível e substituível por outras pessoas.

Assim como eu, você provavelmente faz muitas coisas ao mesmo tempo e acredita que este é o melhor uso do seu tempo. A má notícia é que esta lógica é completamente errada, pois trabalhar em muitas coisas em paralelo não é sinônimo de produtividade. É preciso abandonar o modo multitarefa no qual nos acostumamos a operar. Um estudo da Universidade de Minnesota, realizado em 2009, por exemplo, provou que ao alternar entre uma tarefa A e uma tarefa B, a atenção das pessoas continua ligada a primeira tarefa, o que prejudica a concentração e faz com que ambas as tarefas sejam completadas com uma performance pior.

Outro estudo, feito pela consultoria McKinsey, nos mostra que o profissional moderno está extremamente distraído. Ele gasta cerca de 60% do seu tempo utilizando ferramentas de comunicação online e navegando na internet. Quase 30% do tempo do profissional é dedicado a responder emails. Isso faz com que consigamos completar pequenas tarefas e nos sintamos ocupados, quando, na verdade, estamos destruindo nossa produtividade pela falta de foco.

Aqui em nosso escritório, usamos uma ferramenta que consegue medir o tempo dedicado a cada atividade e tarefas. Esse programa permite que você indique o que é ou não produtivo. Acabamos com as desculpas dos clientes, que dizem que não tem tempo para nada, matamos a cobra e mostramos o pau.


As duas habilidades essenciais

Para conseguir trabalhar de maneira profunda, duas habilidades são essenciais. A primeira é a habilidade de dominar rapidamente coisas difíceis e complexas. A segunda é habilidade de produzir em alta performance, tanto em qualidade, quanto em velocidade.

Para aprender coisas difíceis rapidamente, você precisa se focar intensamente e sem distrações. Aprender é um ato de trabalhar focado e se você se sente confortável em se aprofundar no trabalho, estará confortável em dominar os sistemas cada vez mais complexos e as habilidades necessárias para ser bem-sucedido em nossa economia. Se, em vez disso, você se sente desconfortável com a profundidade e com a constante distração, você não deve esperar que estas habilidades sejam fáceis para você. É preciso que você entenda a seguinte equação:

Trabalho produzido com alta qualidade = (tempo gasto) x (intensidade de foco)

Para produzir em seu nível máximo, você precisa trabalhar por períodos longos com concentração máxima em uma única tarefa, livre de distrações.


A primeira abordagem é a monástica. Ela se baseia em remover todas as fontes de distração e se isolar do mundo, como um monge faria.

A segunda abordagem é a bimodal. Ela se baseia em definir um período longo de foco e deixar o resto do seu tempo livre para outras coisas.

A terceira é a abordagem rítmica, que se baseia em criar o hábito de trabalhar profundamente em blocos de 90 minutos, por exemplo, e já deixá-los reservados na sua agenda.

A quarta abordagem é a jornalística, que se baseia em alocar qualquer tempo livre que surja no seu dia para entrar no modo profundo.

Independentemente do método que você escolha, é importante saber que é preciso ser metódico para entrar em deep work. Você não será capaz de entrar profundamente no trabalho de forma constante se não criar um processo para isso.


Rotinas e rituais para entrar em 'deep work'

A chave para desenvolver um trabalho focado é acrescentar rotinas e rituais em sua vida para minimizar a quantidade de força de vontade necessária para manter um estado de concentração ininterrupta. Por exemplo, se no meio de uma tarde distraída você decide de repente navegar pela internet, para mudar sua atenção para uma tarefa com exigência cognitiva, você vai precisar fortemente da sua força de vontade para te afastar da web. Portanto, essas tentativas muitas vezes falham. Por outro lado, com rotinas e rituais inteligentes – como separar um tempo e um local quieto para suas tarefas profundas – você vai precisar muito menos da sua força de vontade para começar e para continuar trabalhando. No longo prazo, você terá sucesso com esses esforços profundos muito mais frequentemente.

Para extrair o máximo das suas sessões de trabalho profundo, construa rituais em seu dia de trabalho. Decida:

  • Onde você vai trabalhar e por quanto tempo. Se for possível, escolha um local exclusivo para se aprofundar no trabalho, como por exemplo, uma sala de conferências vazia ou uma biblioteca silenciosa.

  • Como você vai trabalhar depois de ter começado. Seu ritual precisa ter regras e processos para manter seus esforços estruturados. Por exemplo, você pode instituir uma proibição de qualquer uso da internet ou manter uma métrica como ‘palavras escritas a cada período de 20 minutos’, para manter sua concentração.

  • Como você vai apoiar seu trabalho. Seu ritual precisa garantir que seu cérebro receba o apoio necessário para operar a um alto nível de profundidade. Por exemplo, o ritual pode especificar que você comece com uma xícara de café ou garanta que você tenha acesso a comida suficiente para manter sua energia, ou mesmo integre exercícios leves como uma caminhada para ajudar a clarear sua mente.

Além disso, planeje seu tempo de inatividade. O tempo ocioso ajuda seu cérebro a descansar e faz com que suas horas de trabalho profundo sejam mais produtivas. Existem outras três razões para que você forneça um pouco de ociosidade ao seu trabalho:

  • Melhoras do tempo de inatividade. Fornecer tempo para seu cérebro descansar permite que seu inconsciente trabalhe nos desafios profissionais mais complexos. Portanto, o hábito de ‘se desligar’ não está necessariamente reduzindo a quantidade de tempo que você gasta em um trabalho produtivo. Pelo contrário, está diversificando o tipo de trabalho que você é capaz de realizar.

  • Tempo de ociosidade recarrega a energia necessária para trabalhar profundamente. Sua atenção é um recurso finito. Se você acaba com ela, vai ter dificuldades para se concentrar. A ideia principal dessa teoria é que se você descansar um pouco dessa atividade, conseguirá restaurar sua habilidade de direcionar sua atenção e seu foco.

  • O trabalho substituído pelo tempo ocioso não é tão importante. Sua capacidade de trabalho profundo em um dia é limitada. Após atingir sua carga máxima durante seu dia de trabalho, você não deve ter medo de parar e descansar. Afinal, você não será capaz de continuar a trabalhar de maneira eficiente e seus esforços estarão confinados em tarefas de baixo valor, realizadas em uma baixa velocidade.



Liberte-se das redes sociais

Identifique os fatores-chave que determinam o sucesso e a felicidade em sua vida profissional e pessoal. Só adote ferramentas como o Facebook e o Twitter se seus impactos positivos nesses fatores ultrapassarem os impactos negativos.

Você não precisa largar a internet completamente, mas deve rejeitar o estado de distração de estar sempre conectado. Existe um meio termo e, se você está interessado em desenvolver um hábito de trabalho profundo, precisa lutar para chegar lá. Tenha sempre em mente os seguintes pontos:


  • Abandone as redes sociais por 30 dias. Não desative formalmente esses serviços e não mencione online que você estará saindo: apenas pare de usá-las. Depois de trinta dias de isolamento da rede, pergunte-se as seguintes questões: Os últimos 30 dias seriam melhores se eu tivesse usado esse serviço? As pessoas se importaram com o fato de que eu não estava usando esse serviço?

  • Aplique a regra de Pareto para seus hábitos com a internet. Essa regra afirma que, em muitos contextos, 80% dos efeitos é devido a apenas 20% de possíveis causas.

  • Não use a internet para se divertir. Dando à sua mente alguma tarefa significativa durante todas as suas horas de trabalho, você vai terminar o dia mais satisfeito e vai começar o dia seguinte mais relaxado. Se, em vez disso, você permite que sua mente perambule por horas pela internet, isso não acontece.

Para resumir, se você quer eliminar o vício dos sites de entretenimento drenando seu tempo e atenção, dê a seu cérebro uma alternativa de qualidade. Isso não só vai preservar sua habilidade de resistir às distrações e de se concentrar, mas também vai te ajudar a experimentar o que significa viver, e não só existir.


Comece programando cada minuto do seu dia:

Uma combinação de programação organizada e flexibilidade para reagendar as coisas se necessário irá permitir mais insights criativos do que uma abordagem mais tradicional, com um dia desestruturado e aberto. Sem uma estrutura, é fácil permitir que seu tempo caia na superficialidade – e-mail, redes sociais e internet. Esse tipo de comportamento superficial, embora seja prazeroso no momento, não conduz à criatividade. Por outro lado, com uma estrutura, é possível definir blocos regulares de tempo para gerar novas ideias ou trabalhar profundamente em algum desafio ou brainstorm por um período de tempo fixo. Esse é o tipo de compromisso que gera inovação.

Quantifique a profundidade em cada atividade:

Uma vantagem de programar seu dia é que você pode determinar quanto tempo está gastando em atividades superficiais. Depois de entender onde suas atividades estão na escala de profundidade ou superficialidade, gaste seu tempo nas mais profundas.

Qual porcentagem do meu tempo deve ser gasta em trabalhos superficiais? Se você tem um chefe, tenha uma conversa com ele sobre isso. Você provavelmente vai precisar definir para ele o que são trabalhos “superficiais” e “profundos”. Se você trabalha por conta própria, faça essa pergunta a si próprio.

Termine seu trabalho às 17:30 da tarde:

Esse é um compromisso fixo com a produtividade. Ter uma hora fixa para terminar o dia de trabalho torna necessário que você seja capaz de encontrar estratégias de produtividade que permitam concluir tudo que deve ser feito na hora e na velocidade certas.

  • Dificulte o envio de mensagens para seu e-mail: A ideia de que todas as mensagens, independentemente do motivo ou do remetente, chegam na mesma caixa de entrada, e que há uma expectativa de que cada mensagem precisa de uma resposta, é extremamente improdutiva. Criar um filtro de remetentes é um passo pequeno, mas muito útil, para melhorar essa situação. Filtros de remetentes e pastas para desconhecidos são uma boa maneira de assumir o controle do seu tempo.

  • Dedique-se mais aos e-mails que você envia e responde:Responder e-mails com uma resposta rápida irá, em um curto prazo, te dar um pequeno alívio, porque você estará se livrando da responsabilidade trazida pela mensagem. No entanto, esse alívio é de curto prazo, já que a responsabilidade vai continuar voltando para você em cada novo e-mail que você envia, tomando seu tempo e atenção. Para lidar com isso, o ideal é fazer uma pausa antes de responder cada e-mail e ser preciso no conteúdo de suas mensagens, para garantir que eles não fiquem voltando para sempre.

  • Não responda a todos os seus e-mails. Desenvolva o hábito de deixar pequenas coisas ruins acontecerem. Se você não fizer isso, nunca vai encontrar tempo para as coisas grandes e importantes. Você deve se contentar em perceber que, como os professores do MIT descobriram, as pessoas são rápidas para ajustar suas expectativas para seus hábitos específicos de comunicação. O fato de que você não responde às suas mensagens provavelmente não é um evento central em sua vida. Não responda aos e-mails que não se relacionam com seus interesses ou agenda, e nem aqueles que são ambíguos ou difíceis.

Esse texto foi inspirado pelo livro Deep Work, Cal Newport ,

Espero que você consiga trabalhar mais focado e ter mais agilidade e com isso ganhar mais performance no seu dia a dia.

Bons negócio, até a semana que vem.


Nany Martins


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